Vivemos no tempo da falsa autonomia intelectual. Isso se manifesta de diversas formas, seja em pesquisas superficiais, no dogmatismo ou, de forma menos perceptível, através de uma forma específica de falso antidogmatismo. O antidogmatismo, em sua essência e na grande maioria das vezes, é algo positivo e necessário para o avanço do pensamento crítico. O que abordaremos aqui, no entanto, é um tipo muito específico de antidogmatismo: o oportunista e desonesto. Trata-se do uso do termo “antidogmatismo” discursivamente, não para contribuir com o avanço da compreensão do mundo, mas como um subterfúgio para justificar ecletismo, bem como desqualificar autores sem precisar refletir sobre seu conteúdo. Em fóruns, universidades e debates, surgem os "guardiões do pensamento livre", cujo maior pesadelo não é estar errado, mas ousar concordar com algum autor ou seguir uma linha teórica. Em vez de estimular a liberdade de pensamento, eles impõem limites sobre o que ela deve ser. Ironicamen...
Desde sua fundação, inaugurada por Marx por meio de uma revolução epistêmica, o marxismo tem enfrentado diversos adversários que correspondem aos interesses de diferentes classes sociais. Um desses combatentes é o pseudomarxismo: um conjunto de ideias que, embora expresse interesses alheios ao movimento revolucionário do proletariado, reivindica no discurso a característica de serem ideias revolucionárias — e, portanto, marxistas. O pseudomarxismo tem sua base social nos estratos mais baixos da intelectualidade e da burocracia. Embora façam parte das classes superiores e não tenham interesse real em superar o capitalismo, esses indivíduos sentem-se insatisfeitos com sua posição social. Como não conseguem promover mudanças sozinhos, recorrem ao discurso marxista como estratégia para mobilizar o proletariado em prol de seus próprios interesses. Exemplos concretos dessa dinâmica podem ser observados nas ações do partido bolchevique durante o processo de contrarrevolução de 1917 (para um a...