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Mostrando postagens de julho, 2026

O Antidogmatismo como Dogma

Vivemos no tempo da falsa autonomia intelectual. Isso se manifesta de diversas formas, seja em pesquisas superficiais, no dogmatismo ou, de forma menos perceptível, através de uma forma específica de falso antidogmatismo. O antidogmatismo, em sua essência e na grande maioria das vezes, é algo positivo e necessário para o avanço do pensamento crítico. O que abordaremos aqui, no entanto, é um tipo muito específico de antidogmatismo: o oportunista e desonesto. Trata-se do uso do termo “antidogmatismo” discursivamente, não para contribuir com o avanço da compreensão do mundo, mas como um subterfúgio para justificar ecletismo, bem como desqualificar autores sem precisar refletir sobre seu conteúdo. Em fóruns, universidades e debates, surgem os "guardiões do pensamento livre", cujo maior pesadelo não é estar errado, mas ousar concordar com algum autor ou seguir uma linha teórica. Em vez de estimular a liberdade de pensamento, eles impõem limites sobre o que ela deve ser. Ironicamen...

Anti-Factos: uma breve resposta a João Bernardo e sua defesa dos “factos”

Desde sua fundação, inaugurada por Marx por meio de uma revolução epistêmica, o marxismo tem enfrentado diversos adversários que correspondem aos interesses de diferentes classes sociais. Um desses combatentes é o pseudomarxismo: um conjunto de ideias que, embora expresse interesses alheios ao movimento revolucionário do proletariado, reivindica no discurso a característica de serem ideias revolucionárias — e, portanto, marxistas. O pseudomarxismo tem sua base social nos estratos mais baixos da intelectualidade e da burocracia. Embora façam parte das classes superiores e não tenham interesse real em superar o capitalismo, esses indivíduos sentem-se insatisfeitos com sua posição social. Como não conseguem promover mudanças sozinhos, recorrem ao discurso marxista como estratégia para mobilizar o proletariado em prol de seus próprios interesses. Exemplos concretos dessa dinâmica podem ser observados nas ações do partido bolchevique durante o processo de contrarrevolução de 1917 (para um a...

A Difícil Passagem da Dúvida ao Cogito ou Quando um Marxista se Encontra com uma Cartesiana em um Bar (PARTE I)

Havia em Goiânia, na Universidade Federal de Goiás, um jovem chamado Carlos que acabara de retirar-se de sua aula de sociologia. Seu rosto anunciava, à primeira vista, que algo estava lhe incomodando. Quem olhasse para ele, neste momento, suspeitaria que estivesse frustrado, mas, se o observador se atentasse um pouco mais, descobriria que a frustração se manifesta com um outro sentimento — angústia. Quem o conhecia não acharia essa cena fora do comum. Carlos era um aluno exemplar, e era admirado por seus professores e colegas de turma. Sempre que podia, ele fazia perguntas que incentivavam todos a enxergarem um mesmo fenômeno em diferentes perspectivas, ou utilizava os argumentos de alguém para que o próprio caísse em contradição. Sua perspicácia, no entanto, se misturava com o pessimismo. Vez ou outra, realizava comentários mórbidos sobre a estupidez humana ou sobre a humanidade da estupidez. Neste dia específico, a frustração fez com que ele saísse apressadamente da sala de aula onde...